É nessa de ir e de voltar que eu me perco entre um fato e outro. Correndo, me ocupando, conversando muito, passeando bastante, ainda bebendo (de vez em quando, mas minha mãe não gosta! rs), dando muitas aulas, tocando o tempo todo e agora, escrevendo de novo. Mas será que é assim mesmo que deve ser? Muitos dos meus amigos dizem: “o negócio é ocupar a cabeça” Ocupo tanto o meu cérebro que mal tenho tempo para mim mesmo. Não dá pra ficar fugindo mais, preciso de mim a qualquer custo.
Escrever é um encontro comigo. E esse tempo todo sem escrever foi prejudicial ao meu eu. Sinto isso, sei disso. Esse é apenas um outro texto, mais um para me motivar... outro. Mas me devo isso. Sei que gosto muito de escrever e sei que fazer isso não é simplesmente ocupar a cabeça. Existe toda uma filosofia por trás disso tudo. Sempre houve... ao menos em meu pensar, todo ele, sempre existiu a auto reflexão. Meus textos refletem toda a minha vã filosofia. Sou exatamente o que eu escrevo, explicita e implicitamente.
Até onde eu fui, até onde eu irei? Não sei ao certo. Sei que sempre vou e na maioria das vezes eu volto. Hoje é um desses dias, outra volta. E pouco a pouco eu vou chegando de novo. Vindo como quem não quer nada, mas vou ficando. Pretendo um dia não sair mais... mentira, pretendo sim sair, mas quero me levar comigo. Esse lance de ir e largar meu coração sozinho não foi legal não. Outra, deixar meu corpo sem alma também não foi nada legal. É, eu me chateio sozinho. Chorei muito, reclamei mais ainda, me larguei num canto e até esqueci onde eu tinha me deixado.
Agora, nessa grande ida, essa de agora, pretendo não voltar mais sem mim. Vou lá, lá longe, logo aqui, dentro de mim e, assim que me encontrar, eu volto. Enquanto viajo, vou me deixar em companhia de mim mesmo e aproveitar pra por todo esse monte de coisa que tenho aqui na cachola num papel ou num espaço cibernético. Quem sabe não esvazio o meu vazio pondo tudo para fora? É melhor mesmo, preciso ajeitar a casa, deixar tudo arrumadinho aqui dentro para a minha chegada. Já avisei a mim mesmo: “O Pedro, você não me volte aqui sem se encontrar, e trate de se encontrar logo porque ficar aqui sozinho também não é nada legal!” Ainda lembro de mim respondendo: “Pode deixar, Pedro! Eu até enrolo, mas nós sabemos que nada disso é em vão. Eu posso estar indo e voltando, mas estou atento, vou nos encontrar e nos trazer de volta. Deixa tudo arrumado que logo a gente vai comemorar a nossa chegada!”
Só sei que eu fui arrumar alguma coisa para eu levar na jornada e quando dei por mim, já tinha saído sem falar nada... enquanto eu não chego, fico aqui me fazendo companhia, escrevendo... escrevendo... escrevendo...
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