quinta-feira, 3 de março de 2011

O que mais eu poderia fazer?

Nada de anormal, somente mais um dia... cara!, como é chato falar isso. Bem da verdade, o dia começou excepcional e caiu drasticamente, depois se reergueu e voltou a cair. Achei que não escreveria nada hoje, mas do nada me bateu uma ideia. E olha que foi daquelas que eu pensei numa frase e comecei a escrever sem saber onde ia chegar. Mas acho que cheguei a algum lugar. Então, só o fato de eu escrever um texto e terminá-lo e em seguida postá-lo, já é claro que eu cheguei a algum lugar. Não tão longe quanto almejo, mas distante do ócio. No meu poema texto, eu falei sobre o meu estado quase que permanente de literatura. Não a clássica ou o best seller, apenas aquele estado que sempre me acompanha; o estado narrativo permanente. Eu anda pelas ruas ou faço coisas do meu dia a dia imaginando coisas para escrever. Sempre penso: “como eu escreveria isso?” Qualquer ato ou gesto pode se tornar uma coisa escrita. Eu não faço isso propositadamente, apenas faço. Realmente não vejo o por quê de não fazer. Eu preciso disso. Tanto para o meu lado espiritual como para o profissional. Acho que, acho não, tenho certeza, que fazendo isso eu estou aperfeiçoando a minha escrita. Praticando o tempo todo, mesmo sem escrever, me ajuda a fluir. E isso é muito importante para quem está disposto a produzir o tempo todo.

Percebi que nos meus textos diários eu venho evitando falar de uma pessoa em específico. Inicialmente eu pretendia que fosse proposital, mas agora não estou mais falando com tanta ênfase dela. Gosto dela ainda, mais do que antes, é claro; mas o que acho que vem acontecendo naturalmente é uma contenção do sentimento a ser escrito. E tudo o que eu estava dizendo anteriormente estava muito explícito, muito aberto. E ela é uma das coisas que eu prefiro deixar só pra mim. O que acontece, exponencialmente, é uma leve citação ou uma entrelinha aqui e ali. Do jeito que ela prefere. E nem foi pedido nem nada, sai assim, normalmente, sem pressão.

A dor acompanha as pessoas de perto. E bota perto nisso. É com praticamente todo mundo que eu conheço, falo ou vejo. Sabe, eu juro que eu tento manter aquela ideia meio Broadway, estilo musical, onde todo mundo sai cantando na rua quando tudo está ruim, mas é algo que não dá pra evitar. As vezes ser triste faz parte. O que eu ando fazendo muito ultimamente é me desligando da vida quando começo a me sentir assim. Assisto uma série, leio um livro e principalmente ouço bastante música. Uma distração? Não nego, mas também é algo a mais que isso. Acho que coisas assim vão fortalecendo a minha alma, dizendo: “ei, você aí, continue seguindo adiante, não afrouxa não, tá?!”

Percebi também com o tempo que, quanto mais fraco emocionalmente você está, pior as coisas ficam. Parece que as pessoas têm um alarme de frustração sempre ligado. Comigo é assim, se eu estiver mal, o povo passa longe. Se estou bem, o povo junta igual formiga num piquenique. E parece que eu tenho essa estranha necessidade de ser útil para as pessoas que eu gosto. E gostar vai me trazendo mais apreço pelas pessoas e eu vou necessitando de poder ajudá-las cada dia mais. É assim com minha ex, é assim com ela, é assim com todos os meus amigos, é assim também com a Quel. Ela em especial, pois ela foi a única que me fez lembrar de como é ruim sofrer por alguém. Por um instante eu pude sentir a sua dor. E isso me fez pensar em muitas coisas. Pensei em quanto eu sofria por alguém que não mais me queria e lembrei que nada me fazia me sentir melhor, por mais que tentassem. Mas lembrei também que o único que podia fazer isso era eu mesmo. Fosse esquecendo, fosse sofrendo mais, fosse apaixonando de novo, fosse como fosse, eu era o único que podia comigo. E tenho certeza que é assim para todos. “Ninguém muda ninguém!”, concordo. O fator mudança está sempre lá no fundo de cada um. Você pode até ser motivado por alguém, mas nada acontece quando você não quer. Então, aproveito a deixa; “Quel, se liga, é com você daqui pra frente! O amigo já está aqui, dentre tantos outros”. Acho que o bom do amigo, aqueles de verdade, é que ele sempre está por perto para limpar a sujeira da sua calça depois do tombo. Já o tombo é inevitável e, por mais que um amigo queira, é você quem tem que levantar. A gente até dá a mão, mas o esforço é todo do “caído”. Resumindo: amigo é aquele que sacode a poeira! Foça aí, moça! Amigo você já tem de sobra, aproveita!

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